Crítica musical

Quando criança, gostava de ler enciclopédias e revistas em quadrinhos da Marvel e DC Comics.

Meu avô tinha uma máquina de escrever; gostava de me sentar ali e escrever o que eu sabia sobre Batman, Homem-Aranha, Capitão América, etc. Quando estava no ensino médio, fui classificado para a fase final das Olimpíadas de Química do estado de São Paulo; o ingresso para final era uma redação e apenas 50 textos de todo o estado foram classificados. Sempre gostei de escrever.

Quando mergulhei no mundo dos discos, comecei a buscar revistas, livros e histórias relacionadas aos lançamentos e as bandas que gostava. A partir delas, dei um novo sentido ao gosto pela escrita, ainda que durante a faculdade o tempo fosse bastante escasso para esse hobbie. Em meados de 2005, contribui com um blog dedicado ao hard rock dos anos 70. Algum tempo depois, assumi a dianteira desse site e o conduzi até 2009. No mesmo período, por meio de uma rede social, conheci vários colecionadores e redatores amadores de blogs sobre música. O primeiro ao qual fui convidado a contribuir foi a Collectors Room, do crítico e colecionador Ricardo Seelig. Contribui por breve período também com o site Alquimia Rock Club. Algum tempo depois, outros colaboradores da Collectors Room resolveram criar uma nova iniciativa, batizada como Consultoria do Rock. Contribui por algum tempo com os dois sites simultaneamente, mas depois migrei integralmente para a Consultoria do Rock, com quem contribuo até hoje. Entre 2008 e 2013 apresentei um programa de rádio semanal chamado Estação Rádio Espacial, dedicado a clássicos e raros do rock progressivo dos anos 70.

No fim de 2017, o produtor e videomaker Vladimir Ribeiro estava lançando uma nova identidade para seu portal BeProg e me convidou para manter uma coluna exclusiva com textos mensais sobre rock progressivo. Desde então crio conteúdo para a BeProg, alternando entre textos sobre clássicos, raridades e novidades de diversas vertentes progressivas. Já tive oportunidade de entrevistar importantes músicos brasileiros como Flavio Venturini (O Terço, solo), Tom Zé, Marco Polo (Ave Sangria), Manito e Pedro Baldanza (Som Nosso de Cada Dia), Mario Testoni (Casa das Máquinas) e Elias Mizhrai (Veludo).

A dedicação em escrever sobre música me trouxe a capacidade de ouvir com muita atenção, ouvir de forma analítica. Para transmitir ao ouvinte as sensações trazidas por um disco, ou para traduzir em palavras a obra de uma banda ou artista solo, é preciso não só levantar informações, mas deter um entendimento mais aprofundado do conteúdo musical daquela obra, o que o ouvinte pode esperar dela, o que a torna distinta e atraente para o público. Esse exercício de análise musical me traz muita informação sobre arranjos, melodias, estrutura rítmica, timbres, expressão, dinâmica, e estética no geral para minhas gravações. Quando componho algo, ou desenvolvo um arranjo, procuro ser meu primeiro e mais feroz crítico, para garantir que ao passar por um crivo apertado de auto-crítica, o ouvinte possa ter acesso ao meu melhor resultado.    

Abaixo, seguem alguns links selecionados que mostram meu trabalho de pesquisa e análise voltado à música dos anos 1960 e 1970. Se você quiser acompanhar os textos que publico mensalmente, assine nossa newsletter (link na página inicial) ou visite a aba "Blog".

Cinco Discos para Conhecer: Eddie Kramer

...Desta vez, os holofotes se voltam para um dos caras mais conhecidos nesta seara – o sul-africano Eddie Kramer. Ativo até hoje no ramo da produção musical, Kramer é uma das principais referências em termos de engenharia de som no rock e esteve envolvido em uma ampla variedade de discos clássicos do rock. Inclusive, equipamentos remotos para tratamento de áudio levam seu nome e sua assinatura...

O rock progressivo nas paradas de sucesso

...Para os jovens entusiastas do gênero talvez seja difícil imaginar, mas sim, o genuíno rock progressivo já fez muito sucesso e levou multidões para estádios. Parece até que estamos falando de um mundo imaginário, mas na década de 70 o estilo realmente foi uma onda bastante consistente, de grande penetração em toda a mídia e parte de todo o mainstream da indústria fonográfica.... 

Reflexões sobre o mercado e o consumo de música (partes 1, 2 e 3)

...Inspirado por dois artigos do crítico André Barcinski e baseado em recentes experiências particulares como músico e produtor de meus próprios trabalhos, decidi partilhar algumas confabulações a respeito do mercado de música. O assunto sempre desperta reações intensas, muita futurologia e desabafos. Os referidos artigos citam a constatada derrocada da indústria fonográfica... 

Tralhas do Porão: Jamul

...O Jamul é mais um grupo norte-americano cujo nome desfila na fileira das obscuridades da virada dos anos 60 para os 70. O fim dos anos 60 produziu uma enormidade de grupos que tentavam surfar na onda psicodélica, cada um com uma dosagem diferente de blues em sua fórmula. A larga maioria deles naufragou – eram produzidos por pequenos selos locais e lidavam com enormes dificuldades logísticas para serem conhecidos em todo o país. O máximo de frutos que deram foi alguma fama local e um único disco no catálogo...

Resenha: Jordsjø - Nattfiolen [2018]

...Não há dúvidas de que os países escandinavos são atualmente um dos pólos mais prolíficos de produção de rock progressivo. Toda a variedade de subestilos que o rock progressivo abrange também ali se faz notar, mas impressiona o quanto grupos daquela área são especialistas em mergulhar o ouvinte na rica sonoridade da década de 1970. Em destaque hoje, apresentamos a banda Jordsjø, um grupo capitaneado pelo multiinstrumentista Håkon Oftung... 

Cinco Discos para Conhecer: Genesis ao vivo (Bootlegs)

...O Genesis é um dos bastiões do rock progressivo inglês e referência para grande parte de toda a produção progressiva pós-70. A partir do sucesso de seu quinto álbum, Selling England by the Pound, os músicos Phil Collins, Peter Gabriel, Mike Rutherford, Steve Hackett e Tony Banks passaram a tocar para platéias cada vez mais numerosas ao redor do mundo. Esta formação durou até 1975, mas o sucesso se ampliou ainda mais com Collins substituindo Gabriel nos vocais e com a banda tornando seu repertório mais pop e acessível ao grande público...

A trajetória do Sebastian Hardie

...Começaram em Sydney com o nome de Sebastian Hardie Blues Band, uma invenção de seu fundador, o guitarrista Graham Ford. Assim como muitos outros grupos da época, o repertório era composto de covers de r&b e standards do blues americano. Essa primeira empreitada durou muito pouco – no início de 1968 tudo tinha acabado. Mas Graham Ford não desanimou – procurou outros garotos para reformar a banda, mudou a orientação sonora (do blues para uma linha mais pop) e abreviou o nome do grupo para Sebastian Hardie, apenas...

As releituras no universo progressivo

...Diferentemente dos estilos derivados do blues (hard rock/blues-rock), no qual a reinterpretação ou o rearranjo de temas tradicionais sempre foi algo comum, o rock progressivo se caracterizou desde o início como uma música fortemente autoral, já que sua própria gênese estava relacionada a uma ruptura estética com o que já existia na música jovem dos anos 60. Contudo, esse raciocínio não pode ser adotado em 100% dos casos... 

Radiografia de um clássico: Khan - Space Shanty [1972]

...Ao contrário da maioria dos jovens da época, o guitarrista Steve Hillage tinha abandonado a banda Uriel (que lançou um único álbum com o nome de Arzachel) em 1969 para continuar seus estudos na Universidade de Kent. Mas mesmo durante os estudos, Hillage continuou compondo e no fim de 1970 retornou à Londres disposto a iniciar um novo projeto musical. O primeiro recrutado para tal foi o baixista e vocalista Nick Greenwood (ex-Crazy World of Arthur Brown)...

Além das guitarras e dos teclados - o violino no rock progressivo

...O rock progressivo tem por característica principal uma intensa e variada musicalidade. E uma das formas pela qual isto foi explorado foi o uso de variados instrumentos musicais. Além da tradição formação das bandas de rock a partir dos anos 60 – bateria, baixo e guitarras, o rock progressivo extraiu dos teclados toda uma miríade de sons e texturas que ajudaram a sedimentar sua estética. Mas não só dos teclados. Tendo como influência a música erudita, vários instrumentos orquestrais foram incorporados ao rock progressivo. E neste texto destacaremos um deles, o violino....

Resenha: Show Som Nosso de Cada Dia - Teatro Municipal de Niterói (RJ) [2018]

...O Som Nosso de Cada Dia, uma das mais importantes formações brasileiras do rock nos anos 70, alternou diversos períodos de atividade após os anos 90. Na primeira metade daquela década, a banda lançou o mítico Snegs (1974) em CD e o álbum Live 94, com sua formação original agregada a outros músicos...